A INTERGERACIONALIDADE NA FAMÍLIA E O DIA DOS AVÓS

EM PORTUGAL, O DIA DOS AVÓS CELEBRA-SE A 26 DE JULHO
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A celebração do dia dos avós é feita através de eventos e de atividades que pretendem homenagear e demonstrar carinho e apreço a todos os avós.

Netos e filhos presenteiam simbolicamente os seus avós, de forma a agradecer o apoio e dedicação destes à família e mostrar o quanto eles são importantes para os seus familiares.

Como enfermeira de Saúde familiar não quis deixar de assinalar a efeméride analisando a importância da convivência entre gerações.

Num contexto de contínua mudança, onde as exigências sociais e profissionais crescem, as famílias têm cada vez menos membros e menos tempo para partilhar. Assim, a relação que os seus elementos estabelecem, assume ainda mais importância, pois a intergeracionalidade na famíliaproporciona redes de apoio, constrói vínculos e promove a solidariedade e a transmissão de valores. A relação entre avós e netos é um exemplo de uma relação intergeracional.

É inquestionável o papel dos avós no crescimento e formação das crianças. Os avós têm uma visão da vida mais ponderada, sabem relativizar, tendem a transmitir segurança. É por isso também que, quando as coisas correm menos bem, muitos de nós recorremos aos avós para apoio e consolo. Há também o privilégio de conviver com as suas raízes familiares, já que muito dos valores e das memórias da família são transmitidos pelos avós. Os avós ajudam os pais, reforçam o papel da família quando esta se rompe ou reconstrói com mais facilidade, oferecem-se como modelos e contam histórias de vida diferentes, gostam de fazer jogos engraçados; fazem atividades que os pais não querem ou não podem fazer com os filhos, preenchem o tempo livre e evitam a solidão ou o desamparo emocional, têm paciência para ajudar a estudar, capacidade para levar a passear, e disponibilidade sincera para… ouvir.

Os avós de hoje vivem mais anos, são mais saudáveis, têm maior poder económico, mais educação e formação e, simultaneamente, como nascem menos crianças, existem menos netos, o que permite uma atenção mais individualizada, mesmo havendo maior mobilidade e distância geográfica.

Desta forma, os avós podem contribuir para a formação e desenvolvimento pessoal da criança e do adolescente, através do conto de histórias e do ensino de tarefas e valores, além de ajudar a criança na sua socialização e no seu relacionamento na escola.

Nestas e noutras situações, há muitos benefícios nesta relação de proximidade entre avós e avôs na educação dos netos.

Mas não são só os netos que beneficiam desta relação. Para os mais velhos, esta é também uma oportunidade para estarem ocupados, sentirem-se mais integrados, com maior mobilidade e a terem a sensação de que são úteis. Levar e buscar na escola, fazer as refeições, levar ao desporto, muitas vezes, até deitá-los faz parte do dia-a-dia dos avós. Os avós também ganharam uma substancial experiência de vida – da qual só temos a ganhar, pois são mais ativos.

Os avós querem e gostam de estar ativos na vida dos netos. Porque ter alguma idade não representa velhice ou inutilidade; pelo contrário, é habitualmente sinónimo de experiência, disponibilidade, sabedoria.

A OMS e a Comissão da UE consideram de grande importância todas as medidas políticas e práticas, que contribuam para um envelhecimento saudável. Com este objetivo é valorizada a autonomia (autodeterminação e liberdade de escolha), a aprendizagem ao longo da vida para manter a capacidade cognitiva e a atividade após a reforma nas componentes: física, psicológica e social (PORTUGAL. Ministério da Saúde, 2008).

O envelhecimento ativo significa envelhecer com boa saúde e como pleno membro da sociedade, com um maior sentido de realização profissional, maior independência na vida quotidiana e maior participação enquanto cidadãos. Independentemente da idade é possível continuar a ser um membro ativo da sociedade e beneficiar de qualidade de vida.

Os enfermeiros e, em particular os que trabalham na comunidade, são os profissionais de saúde que desenvolvem um trabalho de maior proximidade, sendo considerados elementos-chave para desenvolver intervenções promotoras de saúde, em todas as fases do ciclo vital, que reforcem a importância da adoção de comportamentos saudáveis com vista a uma vida longa, ativa e saudável.

É neste sentido que,estimular a manutenção de uma vida ativa, independentemente da idade, maximizar as potencialidades do idoso, minimizar as dependências, aumentar a qualidade de vida do idoso são objetivos do enfermeiro de saúde familiar no âmbito da Saúde do Adulto/idoso.

Para os Enfermeiros, e tendo em conta as vantagens das relações intergeracionais, esta deverá ser uma área a privilegiar, de forma a promover essas relações e a aproveitar os saberes dos mais idosos e dos mais jovens.

Sandra Fernandes

Enfermeira especialista em Enfermagem de saúde Comunitária