A Pessoa Humana, como princípio e fim de toda a ação

Opinião de Diamantino Bártolo
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A estruturação da sociedade envolve várias vertentes e, em todas elas, a componente humana vai estando presente, seja de forma direta, e/ou indireta. Não é despiciendo considerar que a pessoa humana, verdadeiramente assumida e considerada como tal, é o motor de toda a organização societária, na medida em que sem a sua intervenção, possivelmente, apenas a natureza, respeitando os seus ciclos e as suas manifestações, cumpriria as respetivas funções, e o mundo não teria evoluído até ao ponto em que hoje é conhecido, com todas as suas grandezas e misérias que, afinal, constituem os dois extremos, a partir dos quais se procura, incessantemente, o equilíbrio que se deseja cada vez mais estável.

A dimensão axiológica que se prende com o conjunto de princípios, valores e referências, inerentes ao homem, parte da corrente humanista, à qual se lhe reconhece uma dimensão e uma dignidade específicas. E se, em vários domínios do conhecimento, se apoia um projeto inimitável para o homem, é nas Ciências Sociais e Humanas que um programa humanista, mais profundamente se defende, na já longa e complexa história da humanidade. Segue-se que todos os princípios, valores e referências, não podem ignorar o conceito básico que emana do humanismo: o Homem como princípio e fim de toda a ação, qualquer que seja a sua condição e estatuto social.

A formação do cidadão do século XXI, ou de um novo cidadão, deve iniciar-se por vontade própria, o que implica tomar essa decisão, caso se pretenda para as próximas gerações, nas quais se incluirão os jovens descendentes de hoje, uma vida verdadeiramente humana, sem distinção de direitos e de deveres, na paz, na segurança, na propriedade privada, na liberdade, qualquer que esta seja, e em todos os aspetos pelos quais as pessoas se possam realizar com dignidade, com elevação e autoestima. Todos, sem exceção, governantes e governados, devem decidir o que pretendem para o futuro próximo, e implementar as medidas adequadas, atribuir os meios, exigir responsabilidades face aos resultados previstos e não conseguidos.

O Poder não idolatrado, mas como instrumento para a salvação da humanidade, no sentido da sua aplicação, em defesa dos mais fracos e desprotegidos, será o processo mais eficaz, para se erradicar da face da Terra, toda a espécie de iniquidades, e contribuir para a construção de um mundo mais justo e feliz.

O poder que aqui se pretende abordar, situa-se ao nível das capacidades e competências que cada pessoa tem, para disponibilizar uma quota-parte desse mesmo poder que possui, seja qual for a sua natureza e grandeza, e colocar ao serviço, desde logo, do seu semelhante, cada um em relação ao outro, numa cadeia de reciprocidades e de cumplicidades sem fim, o que resultaria numa generalização do poder, ao serviço de cada um e de todos.

O homem, enquanto ser social, ele não consegue viver à margem da sociedade, em condições de poder desfrutar de uma vida compatível, com a sua dignidade de pessoa e, quando em situações de marginalidade, e/ou exclusão social, a sua existência assume proporções e caraterísticas inumanas, em certos aspetos, sem a mínima qualidade de vida, com um nível inferior a muitos animais selvagens, até que um acontecimento mais violento o elimine desse mundo de exclusão, por via da sua morte, e, portanto, é preciso conceder-lhe uma nova oportunidade, que o retire daquelas situações e o integre, novamente, na sociedade organizada a que inicialmente ele pertencia.

Concetualizar a gratidão como um sentimento, uma virtude, um valor social, um traço da personalidade, uma caraterística da educação, ou uma atitude de reconhecimento por um bem-recebido, poderá ter interesse na perspetiva argumentativa, no plano teórico da construção de uma tese, no âmbito da demonstração de boas maneiras.

O essencial, porém, poderá ser abordado no plano prático, pela revelação de comportamentos coerentes e permanentes, de reverência e humildade, perante quem, e/ou a quem, se presta, ou deve gratidão, independentemente do tempo, do espaço e das circunstâncias em que se recebeu o benefício, posterior e definitivamente, objeto de gratidão.

Os idosos (ou os “velhos”, como vulgar e pejorativamente são designadas as pessoas, a partir de uma certa idade, tradicionalmente, a partir dos 65/70 anos), começaram a ser marginalizados, precisamente, com a institucionalização de propalados argumentos de inutilidade e, ainda mais grave, invocando-se os custos sociais que eles causam ao erário público, ignorando-se, intencionalmente, que, foram eles, no seu tempo de vida ativa, com as respetivas comparticipações, que alimentaram o sistema.

As crianças são como o diamante puro, que precisam de ser lapidadas (educadas, formadas, sensibilizadas), mas antes disso, é necessário descobri-las, pelo único processo viável ao homem – fecundidade, reprodução, nascimento, cuidados, educação e trabalho -. Os incentivos ao aumento das taxas de natalidade são, indiscutivelmente, a primeira medida que qualquer governante responsável, e com uma visão de um futuro melhor, para uma humanidade envelhecida, deve tomar.

Os países mais desenvolvidos têm, desde há várias décadas, apostado tudo na educação e formação das crianças e dos jovens (também dos adultos) e o que se verifica, sem grande esforço científico, é que nesses países o nível e qualidade de vida da população, são de excelência.