AMIZADE: VALORES E EXIGÊNCIAS

Diamantino Bártolo
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Se há sentimentos essenciais na vida de uma pessoa, a amizade, entre outros, constitui um bem supremo que, depois de obtida, exige total compreensão, abdicação de imposições de uma parte sobre a outra, de adaptação e aceitação, tanto das qualidades quanto dos defeitos. A amizade pressupõe exigência e rigor permanentes, sabedoria para vencer dificuldades, intrigas e interesses obscuros.

A amizade é um sentimento sempre em progressão, em aprofundamento permanente, numa perspetiva dinâmica, inovadora, aberta, leal e resguardada. Ela, a amizade, deve ser preservada na cumplicidade dos que se consideram verdadeiros amigos, dos que comungam um sincero “Amor-de-Amigo”.

«A relação de Amizade é uma grande manifestação do Amor humano. O Amor de Amigos é Amigável, puro e sem hipocrisia. A pessoa escolhe livremente gostar dessa pessoa, amar essa pessoa, a que chama AMIGO. A pessoa não está ligada à outra pelo instinto!

É uma simpatia pela pessoa. Amizade pode existir entre homem e mulher, entre homem e homem, entre mulher e mulher. Neste Amor de Amizade não há! Não existe atracção sexual (…). A verdadeira Amizade, ou seja, Amor de Amigos, traz muita alegria, a pessoa Ama e dá, sem esperar nada em troca. Não Ama o Amigo pelo que ele fez ou faz! Ama independentemente da ajuda, de qualquer coisa que a pessoa Amiga faça.

Nós amamos os nossos Amigos queremos estar perto deles. Desejamos o melhor para eles. Desculpamos os erros. Temos bons pensamentos, boas palavras, bons sentimentos, bons desejos para os nossos Amigos. Desejamos tudo de bom para os nossos Amigos. Somos sinceros! Puros! Amáveis! Honestos! Leais! Verdadeiros! com os nossos Amigos. Esta é a verdadeira relação de Amizade. Gostamos dos nossos Amigos.». (ROBERTSON, 2007, in: http://blogamor.blogs.sapo.pt/30407.html, blog privado)

Uma amizade iniciada e desenvolvida nos valores: solidariedade, da lealdade, da transparência, da cumplicidade, da gratidão e da defesa intransigente do amigo; na exigência do rigor, da frontalidade e da boa formação humana, em quaisquer circunstâncias, muito dificilmente será destruída. O contrário poderá levar à descrença, à infelicidade, à mágoa que se instala no coração do amigo que se sente não correspondido, onde não existe reciprocidade, onde as palavras, as promessas, os pensamentos não são acompanhados dos respetivos e consequentes atos.

Os amigos verdadeiros aceitam-se, decidem em comum, o que é bom para os dois, ambos devem ceder, perdendo e ganhando, desde que o objetivo final seja sempre a amizade sincera, leal, virtuosa, solidária e cúmplice. Devem prevalecer sempre sentimentos nobres como generosidade, carinho, humildade, solidariedade, enfim, a felicidade dos amigos.

Num mundo tão atribulado, ninguém está isento de dificuldades, de carências, da ajuda de um amigo. Nesta complexidade, a vida será tanto mais interessante, quanto mais fortes forem os sentimentos, as emoções, as causas que os determinam a vivência que se interioriza por momentos inolvidáveis. Sentimentos e emoções sempre repartidos pelos amigos, assumindo, sem restrições, nem medos, as respetivas consequências. Emoções que eles devem enquadrar no puro “Amor-de-Amigo”.

Gerir as emoções é uma tarefa difícil, que requer um aperfeiçoamento contínuo da inteligência emocional, de forma a haver um controlo, mínimo que seja, porque isso se torna vantajoso para a felicidade da pessoa. De facto, a vida poderá ser maravilhosa porque: «Nossas paixões quando bem exercidas têm sabedoria, orientam nossos pensamentos, nossos valores e nossa sobrevivência. » (GOLEMAN in RESENDE, 2000:76).

Rentabilizar, portanto, a amizade sincera, aquela que provoca alegria, mas também, por vezes, tristeza. Quaisquer que sejam tais sentimentos, e emoções, eles devem ser repartidos pelos verdadeiros amigos, para que sintam a sua relação mais forte, mais cúmplice e mais determinada. É aqui que a coesão desempenha uma função importantíssima, na defesa da amizade.

Por vezes utilizam-se expressões como: “amigo-do-peito”, “amigo incondicional”, “amigo dileto”, entre outras, porém, se com tais qualificativos se pretende transmitir, ao outro amigo, que se lhe quer muito bem, que este amigo estará sempre acima, à frente, preferencialmente a todos os demais interesses, situações e pessoas, então os termos fazem sentido, os conceitos ajustam-se a uma amizade inequívoca, perene, pura e correspondida pelos amigos.

Em certas circunstâncias, e conveniências, poder-se-á vislumbrar uma pseudo-amizade, casuística e, quantas vezes, de inconfessável oportunismo. A amizade, quaisquer que sejam as conjunturas, é um sentimento inegociável, porque os amigos também se amam, aqui com o significado de: «desejar-lhe o melhor, olhar por ele, tratá-lo de forma excepcional, dar-lhe o melhor de nós mesmos. Significa a outra nossa alma gémea da amizade sincera, dos valores e exigências a ela associados, em suma, trata-se de um amar característico de verdadeiros e incondicionais amigos». (Cf. ROJAS, 1994).

Este amar não pressupõe, e muito menos envolve, quaisquer instintos sexuais, qualquer intenção de aproveitamento de uma situação, eventualmente, mais íntima, no sentido da cumplicidade que uma amizade verdadeira envolve. Este amar é, precisamente, uma permanente atitude de dádiva, carinho, solidariedade, entreajuda e incentivo para a dignificação dos sentimentos dos amigos.

Este amar não pode provocar quaisquer tristezas, mágoas e desgostos, porque se trata de um amor sincero, puro, apenas interessado na felicidade recíproca dos amigos envolvidos. É o amar do verdadeiro “Amor-de-Amigo”: solidário, nobre, leal, sublime, purificador e protetor das emoções irracionais e dos instintos animalescos. Deverá ser um amar para toda a vida, com ternura e prazer.

Bibliografia

RESENDE, Enio, (2000). O Livro das Competências. Desenvolvimento das Competências: A melhor Auto-Ajuda para Pessoas, Organizações e Sociedade. Rio de Janeiro: Qualitymark

ROBERTSON, Maria, (2007). Amor de Amigos. (Disponível em http://blogamor.blogs.sapo.pt/30407.html

ROJAS, Enrique, (1994). O Homem Light. Tradução, Pe. Virgílio Miranda Neves. Madrid: Ediciones Temas de Hoy, S.A.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo