“Área de Paisagem Protegida Regional da Serra d’Arga” – Assembleia Municipal de Caminha

Intervenção do deputado municipal Filipe Fernandes
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Decorreu ontem, no cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, a sessão ordinária da Assembleia Municipal de Caminha. O deputado Filipe Fernandes levou o tema da classificação da Serra d’Arga a Paisagem Protegida, encontrando-se o processo a decorrer.
Transcrevemos a intervenção.

“Caros deputados,
Hoje venho ressalvar uma parte importante do nosso território.A paisagem. A cultura. Os valores naturais e, acima de tudo, a harmonia destes com as pessoas que a habitam e com os que utilizam. Falo-vos da Serra d’Arga.Todos a conhecemos e é unanime a sua importância.

Durante muitos anos foram muitos os que, de uma forma ou de outra, souberam usar o seu potencial. De muitas formas exploraram o “Diamante em Bruto”, diziam alguns, e o “Mosaico de Paisagens”, diziam outros.Baseado neste potencial prometeram sempre agregar o melhor da nossa paisagem, salientando que poucos locais têm Mar, Rio e Montanha. Uma concentração de valores tão grande que poderíamos viver desse potencial.

Fizeram muito por dela receber e muito pouco trabalharam por ela.Há alguns anos o paradigma político do concelho mudou.Em 2013 o candidato à época, Miguel Alves, salientou que é preciso “Mais e Melhor Pela Nossa Terra”. E desde há 7 anos que o investimento no território, nas pessoas e na evolução não tem parado de crescer, com um retorno evidente e com uma posição de destaque de Caminha a nível nacional.

A Serra d’Arga desta vez não ficou esquecida.O mosteiro foi recuperado, a rede móvel foi reforçada e aumentada, foram adquiridos kits de combate aos incêndios, a aposta no desporto e na cultura foi melhorada, fizeram-se muitos estudos e projetos, como o dos Garranos, estudados em Oxford, Quioto e Sorbonne.

Foram imensas as intervenções florestais. Sublinho as mais recentes: a do Baldio de Arga de São João e a do Baldio de Arga de Baixo, com medidas de emergência no combate aos incêndios, 530 mil euros a primeira e 192 mil euros a segunda. E ainda a plantação de folhosas, o combate às espécies exóticas invasoras, a recuperação de caminhos, a reabilitação de moinhos de água, entre muitas outras iniciativas relevantes.

Todas estas intervenções não teriam sentido sem um pensamento em grande escala. A Serra d’Arga tem hoje maior resiliência contra os incêndios.

Tem uma proteção urbanística e uma gestão do território que não era possível sem a corajosa Revisão do PDM de Caminha.E tem a união de um povo, do nosso concelho, que luta pela preservação e salvaguarda de todos os valores da serra, tendo até conquistado o galardão das “7 Maravilhas da Cultura Popular de Portugal”.Mas não há sucesso sem trabalho.

Há 3 anos o município de Caminha, em conjunto com Ponte de Lima e Viana do Castelo, iniciou uma grande caminhada num estudo profundo da Serra d’Arga.O estudo, apresentado há cerca de um ano, revelou o que muitos desconfiavam mas não sabiam.

A biodiversidade deste local é singular, importante à escala Mundial.Com espécies raras ou ameaçadas de extinção, são trinta e duas. Mais de meio milhar de plantas vasculares e quase duas centenas de vertebrados selvagens, contando entre eles, o Lobo.O passo seguinte já deu início na última reunião de câmara, com a autorização para apresentação da proposta de criação da ÁREA DE PAISAGEM PROTEGIDA REGIONAL DA SERRA D’ARGA.

Portugal vai ter a 4ª área com esta classificação.

Esta figura de proteção vai dar as ferramentas necessárias para uma gestão integrada, agregadora do Alto Minho e geradora de uma indústria que traz gente, promove o desenvolvimento sustentável e, acima de tudo, pensa nas próximas gerações.

Não podemos ter discursos bonitos e praticar o seu contrário.

Não queremos a exploração do lítio e este executivo, de Miguel Alves, Guilherme Lagido, Liliana Ribeiro e Rui Lages têm feito o trabalho de casa.A defesa da Serra d’Arga começou em 2013. A gestão dos seus recursos faz-se hoje e no futuro. Porque um dia alguém vai contar quem lutou e deixou a sua marca.

Vila Praia de Âncora, 25 de setembro 2020″