DISCURSO DO PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA ETAP NA SESSÃO COMEMORATIVA DO 30º ANIVERSÁRIO

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Neste dia, 20 de setembro, em que celebramos 30 anos de atividade em prol da educação e formação, queria agradecer a presença de todos dizendo-lhes muito obrigado por estarem aqui presentes. 

Queria também referir que, não fora o período eleitoral em que nos encontramos e o facto do Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, ser candidato a deputado por este círculo eleitoral, o teríamos entre nós, pois, sei quanto preza o nosso trabalho e ele sabe, também, quanto nós apreciamos o esforço que tem feito para em melhorar as condições de funcionamento das Escolas Profissionais.

Queria também agradecer as múltiplas mensagens de congratulação pela efeméride que recebemos, o que muito nos contenta.

Saúdo a presença dos antigos Diretores Pedagógicos da Escola, que aqui se encontram, designadamente, o Professor Cabral Pinto, o Professor Jorge Fão e o Professor Eurico Ramos. 

Refiro que, o desenvolvimento do projeto educativo da nossa escola, tal como de todas as outras, implica a ajuda, a cooperação de todos e, em particular, o apoio do governo, das autarquias locais, das Comunidades Intermunicipais e da comunidade em geral.

O projeto encetado pela ETAP conheceu momentos de grande alegria e entusiasmo, mas, também, muitos momentos em que pairou a tristeza e a adversidade, essencialmente, por causa da inconstância das políticas e dos problemas financeiros com que se debatem as escolas profissionais.

Recordando os momentos mais marcantes da história deste projeto direi que a ETAP nasceu em Caminha e Vila Praia de Âncora, em 1989, com cursos nas áreas da hotelaria, artes gráficas e construção civil depois, correspondendo a uma solicitação do Ministério da Educação, passou a gerir a escola profissional de Vila Nova de Cerveira (EPOA). Alguns anos mais tarde foram criadas as Unidade de Formação de Valença e, logo depois, a de Viana do Castelo e de Ponte de Lima.

Em termos de alunos, gostaria de referir que nestes últimos 30 anos, frequentaram a escola 3.908 alunos de nível IV E 922 alunos de nível II, a que acrescem 82 alunos que frequentaram Cursos de Especialização Tecnológica entre 2002 e 2004.

Esses alunos, frequentaram cursos, em 21 áreas de formação distintas e em dezenas de itinerários de formação diferentes.

Quanto à sua proveniência, posso dizer que são oriundos essencialmente dos territórios onde temos espaços físicos abertos, mas gostava de referir que eles se distribuem muito equilibradamente entre os Vales do Minho e do Lima mas a estatística elucida que cerca de 50% pertencem ao município de Viana do Castelo.

A formação e o reconhecimento de competências dos adultos sempre fez parte do nosso projeto educativo.

Na vigência da Escola, certificamos muitas centenas de adultos e organizamos formações complementares em cursos EFA e FMC da mesma ordem de grandeza.

Nesta cerimónia comemorativa não podia deixar de referir, desde logo, o extraordinário papel do GETAP, liderado pelo Doutor Joaquim Azevedo e pelo então Ministro da Educação Doutor Roberto Carneiro a quem, pela sua visão e determinação, muito as escolas profissionais devem.

Efetivamente, recuando no tempo, no dia 20 de setembro, há precisamente 30 anos, eu próprio em nome da Câmara de Caminha e o Professor joaquim Azevedo em nome do GETAP assinávamos o primeiro Contrato-Programa celebrado na região Norte e o segundo a nível nacional .

Se este foi o segundo, a nível nacional, é porque houve um primeiro e, a este propósito, queria referir o trabalho de parceria que na altura encetamos com a Câmara de Pombal tendo em vista concebermos os Contratos-Programa os quais viriam a servir de referencial para tantos outros que foram, subsequentemente, assinados. Porque o Diretor da Escola de Pombal fez o obséquio de estar hoje aqui presente queria saudá-lo e dizer-lhe quão profiquo foi esse trabalho. 

Depois disso tivemos que conviver com as adversidades que conhecemos e a todas elas respondemos com inovação pedagógica, com a pedagogia de projeto, com o trabalho em rede e com o diálogo com os agentes económicos e sociais.

Recordo que, um dos momentos que provocou mais inquietações foi a publicação do DL 4/98 que pôs fim às Entidades Promotoras das Escolas Profissionais e extinguiu os primeiros Contratos-Programa celebrados com o Ministério da Educação.

Nessa altura, teve lugar neste mesmo Auditório uma Jornada de reflexão sobre as “perspetivas jurídicas para a figura das entidades proprietárias das Escolas Profissionais” que contou com a presença do então Secretário de Estado da Administração Educativa, Dr. Guilherme Oliveira Martins que muito contribuiu para fazer chegar alguma tranquilidade às Escolas.

Gostaria de me referir igualmente às experiências transnacionais que passaram pelos intercâmbios escolares com os Liceus Profissionais franceses a participação nas Conferências do EFVET (Fórum Europeu do Ensino Profissional) e nos Programas Língua, Sócrates, Leonardo, que antecederam o ERASMUS.

Gostaria de me referir aos estágios e intercâmbios no país e no estrangeiro que tem sido uma enorme mais valia para a Escola mas muito mais para os alunos.

Gostaria também de referir que a ETAP foi percursora na adoção de mecanismos de gestão da qualidade tendo sido a primeira Escola Profissional acreditada nos termos das normas ISSO e agora com uma participação muito ativa na implementação dos Sistemas de Garantia da Qualidade nas Escolas Profissionais (EQAVET).

Refiro o papel da Escola na criação da ANESPO que representa a generalidade das Escolas Profissionais e os contributos que temos vindo a dar nos seus órgãos sociais.

Refiro as expectativas que temos em relação ao futuro e espero que as orientações de política, em matéria de formação profissional, alinhem, definitivamente, com os restantes países da União Europeia, que haja uma efetiva resposta às expectativas dos agentes económicos e sociais, e ainda:

  • Que a valorização social de algumas profissões seja uma realidade;
  • Que se aposte no apetrechamento e melhoria das instalações e equipamentos das escolas como garantia de qualidade da formação.
  • Que se aposte fortemente na orientação escolar e profissional como forma de combater o insucesso e abandono escolar; 
  • Que alunos e os encarregados de educação tenham acesso à informação sobre a oferta e possam fazer escolhas informadas.
  • Que se aposte na inovação pedagógica e na pedagogia da individualização.

O caminho encetado, há trinta anos, pelas Escolas Profissionais, a sua boa aceitação junto dos agentes educativos, económicos e sociais deve induzir novos desafios e novas dinâmicas.

A ETAP está nessa linha e, para isso, contamos com o empenho e dedicação do pessoal docente e não docente a exemplo do que aconteceu nos últimos 30 anos. 

Enquanto Diretor desta Escola deixo uma palavra de agradecimento pela estima e consideração manifestada pelos organismos da tutela que connosco têm colaborado.

Quero dizer aos meus amigos aqui presentes, alguns dos quais vieram de muito longe para partilhar connosco este momento de júbilo o meu muito obrigado.

Conto com todos para, em conjunto, consolidarmos os pilares deste projeto com trinta anos e, especialmente, com os agentes mais ativos que foram protagonistas da história da ETAP nestes últimos 30 anos.

Espero que a experiência passada elucide sobre os projetos futuros e que tudo seja feito em benefício das novas gerações.

O futuro espera-nos!

MUITO OBRIGADO.