Eleições para a Prosperidade?

Opinião de Diamantino Bártolo
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A vida humana apresenta-se, ao longo de todo o seu percurso, como uma imensa rede de relações diversas, as mais importantes das quais poderão situar-se aos níveis: familiar, religioso, profissional, político e inter-relacional, cuja gestão implica: conhecimentos, experiência, sensibilidade, princípios, valores, sentimentos e emoções diferentes, boas-práticas, complementaridade das múltiplas dimensões que caraterizam a pessoa humana.

Na sociedade contemporânea, ainda no primeiro quarto do século XXI, verificam-se grandes mudanças, em relação ao que nos descrevem a História nas suas múltiplas especialidades, e muitas outras disciplinas das Ciências Exatas e das Ciências Sociais e Humanas. De facto, dir-se-á, ainda que simbolicamente: “o mundo gira a uma velocidade estonteante”.

Já quase ninguém acompanha o ritmo das ciências e da tecnologia, podendo-se afirmar, com alguma ironia subjetiva, que até parece que estamos a regredir nos conhecimentos, justamente porque cada dia que passa, surgem novas teorias, experiências, soluções, problemas, práticas, invenções, enfim: resolvem-se umas situações à luz dos conhecimentos e ensinamentos experienciados; mas outros enigmas, conflitos e situações, com mais ou menos dramatismo, emergem na vida da humanidade.

Entretanto, no que à dimensão axiológica se verifica é que: por um lado, os grandes valores universais, na maioria da população mundial persistem, como a: saúde, família, trabalho, paz, justiça, felicidade, (independentemente do conceito que esta possa merecer), Graça Divina; por outro lado, diversos valores parecem relativamente esquecidos, ou pelo menos pouco lembrados e, eventualmente, envergonhados na sua práxis como o: respeito, amizade/amor, gratidão, solidariedade (este valor, felizmente, muitas pessoas o exercem com grande alegria, entusiasmo e generosidade), lealdade, dignidade, entre outros.

Apesar das muitas dificuldades que diversas sociedades atravessam, a portuguesa incluída, ainda vai havendo imensa sensibilidade do povo anónimo e generoso, bem como de algumas instituições, públicas e privadas, para o exercício de valores fundamentais, para que muitas pessoas consigam viver com um mínimo de dignidade e conforto material.

Segundo algumas estatísticas, a situação tem vindo a melhorar nos últimos anos, mas não se pode ignorar que o número dos mais vulneráveis e carenciados ainda é muito preocupante, sem que se vislumbrem soluções efetivas e definitivas de alteração para melhorar, necessidades essenciais básicas de grandes extratos da população, que ainda sentem na pele a pobreza, a exclusão nas suas diversas “especialidades” e outros dramas inimagináveis.

O valor Prosperidade, progressiva e sustentável, não só ao nível objetivamente material, mas também subjetivamente, no âmbito da: educação, formação, criação de condições para o aumento e valorização da autoestima. Claro que se concorda com uma prosperidade material, de conforto e bem-estar, de trabalho, complementada e em reciprocidade com uma prosperidade de autoafirmação com: dignidade, mérito próprio, dentro de regras, princípios legais e legítimos, valores, sentimentos e emoções.

Como seria interessante, inédito e corajoso que alguém, individualmente, ou em grupo e, neste caso, constituísse lista para uma “Assembleia Nacional da Defesa da Dignidade e Prosperidade da Pessoa Humana”! É evidente que esta ideia não passa de uma utopia, até porque tem imensos argumentos contra, desde logo constitucionais, leis e regulamentos específicos, aos próprios programas político-partidários, e projetos eleitorais, só que, tudo isto parece de difícil execução e muitas normas da lei fundamental nem sequer passam do papel, como se de uma carta de boas intenções se tratasse.

Sem a prosperidade de um povo, não há desenvolvimento, e sem este não se atinge aquela. É um círculo vicioso, do qual parece não se sair. Não é como o empobrecimento galopante que se carateriza, precisamente, pelo oposto da prosperidade, que se consegue atingir um nível razoável de conforto material e de realização pessoal.

Não é castigando o povo trabalhador, os reformados e pensionistas, com medidas fiscais de grande intensidade, com cortes injustos, retroativos (eventualmente imorais e inconstitucionais), que se proporcionam condições e capacidade de aquisição de bens e serviços. Não é com retaliação institucional que, na verdade, atinge os mais fracos, que se chega à prosperidade e à felicidade que ela pode comportar e/ou acrescentar.

A promessa eleitoral, por exemplo, para aumentar, sustentavelmente, a prosperidade, poderia ser um grande desígnio universal, nacional, regional e local, nem seria necessário mais nenhuma promessa, para se vencerem eleições, todavia, um tal compromisso que, por outras palavras, até já tem sido anunciado, nunca foi  cumprido, por isso, também daqui resulta que a prosperidade para alguns povos, grupos, famílias e pessoas não passa, ou não tem passado, de uma utopia, bem pelo contrário, o empobrecimento e a miséria é que são a realidade.

Com efeito: é fundamental que as populações tenham um nível e qualidade de vida sustentáveis por um desenvolvimento equilibrado, para se entrar num círculo de prosperidade progressiva e, nesse sentido, é necessário que o poder de compra aumente gradual e irreversivelmente; é urgente estabelecer uma verdadeira prioridade nacional; que se coloquem todas as sinergias ao serviço da criação de riqueza (não de empobrecimento), de produção de bens e serviços da melhor qualidade.

Ora, isso consegue-se com a maior taxa de empregabilidade para todas as faixas etárias (ninguém pode ficar de fora de um projeto mundial, nacional regional e local de produção de riqueza), com salários que permitam aos trabalhadores e suas famílias um grande poder de compra, porque o consumo estimula a produção, o lucro dos investidores, a modernização das empresas, o reinvestimento, a criação de mais postos de trabalho, melhores salários, mais exigentes qualificações, o que leva à educação e formação. Trata-se de uma “espiral progressiva para a prosperidade”.

É possível criar-se, um “PPP – Partido para a Prosperidade Progressiva”, (não confundir com as PPP – Participações Público-Privadas), o qual poderá ser constituído por todos os cidadãos que queiram um futuro promissor, para eles próprios, para as famílias, para as empresas, para o país e para as gerações vindouras, (ou então adotar-se aquelas palavras como lema para qualquer movimento interessado na defesa do povo em geral e dos mais fracos em particular: “governar para o povo, com o povo e pelo povo”.).

A experiência de vida ensina que a dignidade humana se conquista pelo: estudo, formação, trabalho, poupança e reinvestimento, e não vale a pena insistir em receitas de laboratório, porque a pessoa humana não é um objeto qualquer, uma “cobaia” para exercícios académicos, quantas vezes realizados por pessoas que nunca passaram pela privação de um simples prato de sopa, pela exclusão social, pela iliteracia, descendentes de pobres ou não terem um estatuto social de prestígio, porque tais pessoas, admite-se que algumas por mérito próprio, mas também por ajudas que tiveram, hoje estão bem na vida, e não podem ignorar os milhões de cidadãos que: vivem na miséria; que passam fome; que não têm um abrigo condigno, que são autênticos “farrapos humanos”.

No “Partido para a Prosperidade Progressiva” devem participar todas as pessoas, sem quaisquer discriminações negativas, em que cada cidadão desempenhe as funções que melhor sabe e gosta de fazer. Como em qualquer organização, terá de haver líderes, orientadores, que possuam não só os títulos académicos e os currículos internacionais, (por vezes adquiridos fraudulentamente), mas também a experiência que a vida real, no terreno das dificuldades, no seio do povo pode proporcionar, e com estas credenciais, há fortes possibilidades de grande sucesso.

Como seria estimulante que, acima das organizações político-partidárias, movimentos cívicos e instituições diversas, de todas as forças políticas, se constituísse esse grande “Partido para Prosperidade Progressiva”, precisamente com os responsáveis mais qualificados, segundo os critérios anteriormente insinuados! Que grande adesão popular um tal partido teria! Que entusiasmo se geraria na sociedade! Como a Democracia seria autêntica e estimulante.!

É muito fácil fazerem-se experiências com a vida dos mais necessitados; é muito prático impor, com invulgar violência e insensibilidade, medidas de austeridade, quando não se está na situação dos mais fragilizados, embora, muitos destes já tenham dado um contributo substancial para a sociedade, que indiretamente, entretanto, contribuíram para que muitos chegassem ao lugar onde estão.

O que mais interessa a todas as pessoas de bem, que felizmente é a esmagadora maioria da sociedade, é verem garantidas algumas medidas que contribuam para a saúde, trabalho, educação, formação e uma velhice merecidamente tranquila, confortável e digna.

A segurança de usufruírem, sem receio de os virem a perder: todos os seus direitos, não só adquiridos, como contratualizados; o que mais importa é eliminar o sofrimento físico, psicológico e moral, resultante da falta de trabalho, de comida, de futuro.

Mas a esperança não deve morrer, e para que isso não aconteça, o “Partido para Prosperidade Progressiva” que, como é bom de ver, trata-se de um ideal que toda a sociedade deveria conciliar: governantes e governados; empresários e trabalhadores; professores e alunos; crentes e não crentes. Este ideal em nada prejudica a participação cívica dos cidadãos: quer enquanto independentes; quer integrados em forças políticas.

Nunca ninguém pode ignorar que, pelo facto de, em dado período da vida, ter estado muito bem, não fique sujeito, num futuro mais ou menos próximo, à miséria envergonhada, à exclusão social. Tudo é possível na vida, embora se tenha a ideia de que algumas pessoas, possuam como que um escudo protetor, constituído por outras pessoas que, alternadamente, se entreajudam, revezadamente trocam de posições, sempre conseguem um bom futuro para elas, familiares e amigos, em qualquer parte do mundo, todavia, ainda assim, de vez em quando, ocorre uma qualquer ação que destrói, completamente, uma pessoa, uma família, um grupo, enfim, um império. Todos os pedestais são suscetíveis de derrube, mais ou menos violento.

A esperança num futuro de prosperidade, não pode morrer. Interiorizemos todos de que: é preciso trabalhar arduamente, poupar, investir, pagar impostos justos para nos autodesenvolvermos; cumprirmos com os nossos compromissos, porém, sem imposições desumanas; assumirmos as nossas responsabilidades é um dever das pessoas e sociedades honradas; é essencial negociar, honesta e humanamente o respetivo encargo; é necessário que tenhamos condições condignas para produzir e consumir os nossos produtos.

É possível ultrapassarmos as dificuldades normais, mas acrescentar mais obstáculos implica uma redução das capacidades “anímicas” para a participação na criação de cada vez mais prosperidade, de forma sustentada e irreversível.

É profundamente injusto, e extremamente perigoso, nivelar-se tudo e todos por baixo e, pelo contrário, pelo menos que se sensibilize, quem muito já tem, a doar um pouco mais, a quem cada vez menos tem, está mais pobre. Isto não só é prosperidade como também solidariedade.

E se a solidariedade, a amizade, a lealdade, a consideração, a estima, o respeito, a reciprocidade e toda a axiologia protetora da dignidade humana são fundamentais nas relações interpessoais, então para o sucesso do coletivo societário serão, igualmente, essenciais, mas para isso é necessário fixar, a partir de “ontem” o grande ideal humanista, traduzido no objetivo de se alcançar a Prosperidade Progressiva Sustentável.

Trata-se de um ideal que está acessível ao coletivo, porque as faculdades humanas quase não têm limites, as capacidades, a todos os níveis, são imensas e a determinação para vencer obstáculos naturais também já tem sido demonstrada.

A estratégia para se alcançar a “Prosperidade Progressiva Sustentável” é muito simples: criar as condições mínimas para que todos, sem exceção, possam trabalhar, produzir, consumir e os resultados positivos, rapidamente, surgirão, portanto, “mãos-à-obra” caros concidadãos: governantes e governados; empresários e trabalhadores; professores e alunos; crentes e não-crentes. TODOS, sem exceções.