Energia das ondas entra na rede nacional em novembro

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A CorPower Ocean aponta para novembro a injeção na rede elétrica de 300 quilowatts de energia das ondas, suficiente para abastecer 300 casas, com início de funcionamento do primeiro de quatro conversores produzidos em Viana do Castelo.

Em declarações à agência Lusa, o diretor em Portugal da empresa tecnológica sueca, Miguel Silva, adiantou que entre 2024 e 2025 estará concluída a instalação dos restantes três conversores de energia das ondas, prevendo uma produção de 1,2 megawatts de energia, suficiente para alimentar mil habitações, num investimento de 16 milhões de euros.

O primeiro conversor de energia das ondas, com o formato de uma boia, com nove metros de diâmetro, vai ser colocado dentro da água em meados de novembro, a cerca de seis quilómetros de terra, na praia da Aguçadoura [na Póvoa de Varzim].

Segundo o responsável, “já se encontra instalada no local a âncora que vai fixar o dispositivo e o cabo submarino elétrico que transportará a energia desde o ponto da produção até uma subestação situada na praia de Barranha, na Aguçadoura”.

Em causa está o projeto considerado “pioneiro”, designado por HiWave-5, desenvolvido pela CorPower Ocean.

“Nesta fase estamos a colocar esse dispositivo desta geração também para aprendermos um pouco com os dados que vamos recolhendo ao longo do tempo. Se virmos que é necessário continuar com ciclos de aprendizagem ou de recolha de dados, há a possibilidade de estender o prazo do título privativo de utilização do espaço marítimo, que termina em 2030”, especificou.

Segundo o responsável, o projeto de instalação dos quatro conversores representa um investimento de 16 milhões, mas sublinhou que a empresa sueca pretende continuar a “evoluir a tecnologia e, nessa altura, o investimento será diferente”.

Miguel Silva apelou “para que os leilões para a produção de energia renovável marinha ‘offshore’ (no mar) não sejam, necessariamente, só para o vento”.

“É importante que a comunidade perceba que para termos um sistema com 24 horas de energia renovável ele não sobrevive só com vento e sol. É também importante perceber que, tratando-se de uma tecnologia emergente e que resolve efetivamente um problema […] precisamos de ter, necessariamente, durante o arranque da tecnologia, algum apoio. Não é possível competir com tecnologias maduras, como o vento e sol, quando estamos a falar de uma tecnologia emergente, que tem os custos dessa emergência associadas”, acrescentou.

O diretor da CorPower Ocean em Portugal adiantou que, “agora que se está a ordenar o espaço marítimo, tem, pelo menos, de contemplar a energia das ondas”, por entender que a empresa “tem feito por merecer mais algum espaço”.

“Os leilões estão aí à porta e, neste momento, o espaço marítimo está praticamente atribuído ao eólico ‘offshore’”, sublinhou.

Segundo Miguel Silva, existe, neste momento, um grupo de trabalho criado pelos secretários de Estado do Mar e da Energia, pelos responsáveis dos portos, entre outras entidades, para produzir um documento, a apresentar dentro de oito meses, que contribua para a melhor regulação do espaço.

“Nós queremos de alguma forma, ter influência sobre essas decisões. Não queremos mais espaço, mas queremos algum espaço para a energia das ondas. Neste momento, só temos o espaço concessionado na Aguçadora. Pretendemos que o espaço marítimo, ao ser ordenado, se ordene não só a pensar no eólico ‘offshore’, mas também noutro tipo de energia, como o solar flutuante marinho”.