Energias renováveis “minimizam subida da eletricidade” para consumidores

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A APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis garantiu que as energias renováveis “minimizam a subida da eletricidade para consumidores domésticos e empresariais”, depois de a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) ter publicado a atualização de preços para 2023.

Num comunicado, a APREN disse que “as energias renováveis vão minimizar o impacto da subida anormal dos preços da eletricidade em 2023 numa altura em que continuam a ser registados valores muito elevados nos mercados grossistas europeus”, indicando que para a associação “esta é uma das principais conclusões da publicação, por parte da ERSE, das tarifas e preços a vigorar no próximo ano no mercado regulado”.

O preço da eletricidade em mercado regulado aumenta 1,6 por cento em janeiro de 2023, em relação a dezembro, sendo que a subida ascenderá a 3,3 por cento face à média deste ano, valores superiores aos propostos em outubro, anunciou a ERSE.

A APREN destacou que, de acordo com o regulador, “a redução da tarifa de acesso às redes contribuirá, em 2023, para uma diminuição de cerca de 55 por cento na fatura final dos consumidores domésticos e de cerca de 30 por cento na dos consumidores industriais”, explicando que estas tarifas “voltam a cair em 2023 graças às energias renováveis, com benefícios para toda a tipologia de consumidores”.

Segundo a APREN, a tarifa de Uso Global do Sistema “regista uma diminuição de 370 por cento, face ao ano anterior, como resultado da diminuição dos Custos de Interesse Geral, o que se traduz num benefício para o Sistema Elétrico Nacional muito significativo”.

Alivia-se, assim, “a pressão dos aumentos dos preços de eletricidade registados no mercado grossista e, consequentemente, dos preços finais pagos pelos clientes, tanto no mercado regulado, como no mercado liberalizado”, garantiu a associação.

De acordo com a APREN, para o ano “os consumidores domésticos irão beneficiar de um sobreganho de 2,5 mil milhões de euros de receitas do diferencial de custo da Produção em Regime Especial (PRE), maioritariamente renovável”, sendo que os valores pagos às empresas produtoras de eletricidade “que vendem a PRE ao Comercializador de Último Recurso são mais baixos do que os valores da componente de energia dos preços de eletricidade registados atualmente no mercado grossista, o que permite que a diferença seja entregue ao sistema, gerando um verdadeiro sobreganho proporcionado pelas renováveis”.

Por outro lado, “os consumidores industriais irão colher os benefícios da injeção de cerca de dois mil milhões de euros nas tarifas de acesso às redes em 2023”.

A associação garantiu que estes valores “servirão como almofada financeira face aos elevados preços registados no mercado grossista”, reconhecendo que ainda assim em janeiro “os consumidores em baixa tensão normal, no mercado regulado, que serve de referência ao mercado liberalizado, vão observar um ligeiro aumento médio de 1,6 por cento em relação aos preços em vigor em dezembro de 2022”.

A APREN realçou ainda que “a variação média, face a 2022, é na ordem dos 3,3 por cento, mas poderia ser muito superior face à atual conjuntura”, tendo em conta que “a previsão para a taxa de inflação, referente a 2022, aponta para os 10,5 por cento”. Assim, referiu, “um aumento de 1,6 por cento e 3,3 por cento corresponde, na verdade, a uma redução de impacto nos custos na ordem de 8,9 por cento e 7,2 por cento, respetivamente”.

“Os efeitos colaterais nos mercados de energia, decorrentes do prolongamento das tensões geopolíticas da guerra na Ucrânia, explicam a manutenção do nível anormalmente elevado dos preços de energia elétrica nos mercados grossistas, que deverão manter-se em 2023”, disse a associação, indicando que entre janeiro e novembro deste ano “Portugal foi o quarto país da Europa com maior incorporação renovável na geração de eletricidade, com 54,4 por cento”.