Ética Mundial para a Paz

Opinião de Diamantino Bártolo
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Há fases da vida em que toda a pessoa tem legítimas aspirações que, nessas épocas, são consideradas utópicas, porém, ninguém pode garantir que, num futuro mais ou menos remoto, se não possam tornar realidades ainda que, relativizadas, face a uma outra dimensão absoluta que, necessariamente, se busca e, desesperadamente, se reconhece a incapacidade para a alcançar.

Defronta-se a humanidade com uma realidade que lhe é dada pela natureza das coisas, como um fenómeno, que é interpretado segundo os conhecimentos da ciência e da técnica de cada época, mas cujo núcleo mais profundo ainda se ignora, pese embora, e a favor, o facto de se avançar imenso na descoberta e explicação de tais realidades.

O mistério do insondável persiste e até as coisas mais simples: uma árvore, uma pedra, o movimento das águas, a montanha, o vento, o fogo, o ar, os povos nas suas organizações mais rudimentares e primitivas, contêm aspetos que o homem ainda não conhece total e absolutamente.

A sociedade humana, que é uma construção do génio humano, continua, complexa, apesar de toda a evolução da sua estratégica organização, da proliferação e aplicação de regras, complexa, difícil e conflituosa, gerando situações que já não são compatíveis com o estatuto superior que deveria corresponder à dignidade da pessoa humana, numa sociedade que tem a obrigação de se conduzir pelos valores e princípios referenciais desta superior espécie.

O homem (abrangendo, obviamente, os dois géneros: feminino e masculino) que ao longo da sua história, a partir do seu mais remoto antepassado, cientificamente denominado por “hominídeo”, considerando, ainda, a sua evolução nas abordagens filogenética e ontogenética, certamente que tem sido objeto de um progresso, a todos os títulos notável, que nenhuma outra espécie animal terá conseguido.

O novo século iniciou-se com as esperanças que transitaram do século anterior, à cabeça das quais se coloca a paz, podendo esta ser entendida como: «A paz, vale dizer a tranquilidade, nascida da ordem, é o mais elevado desses bens desejáveis, pois inclui todos os outros.» (SIMÕES, 2000:85), a saúde, o trabalho, a felicidade, entre outras, igualmente desejáveis, que se encontram bem identificadas num documento subscrito pela esmagadora maioria dos países do mundo: Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Neste documento universal, resultante do sofrimento provocado por duas guerras mundiais, que marcaram negativamente o século XX, aprovado em 10 de Dezembro de 1948 pela Assembleia-geral das Nações Unidas, estão plasmados, em trinta artigos, os direitos humanos fundamentais, a que lhes correspondem outros tantos deveres, porque cada pessoa que usufrui de um direito tem o dever de proporcionar igual oportunidade ao seu semelhante.

As causas, as soluções e a comprovação dos resultados, para a situação das pessoas, das comunidades e das nações, não cabem no âmbito da presente investigação-reflexão, qualquer que seja a abordagem: científica, técnica, política, social, económica, religiosa, cultural ou outra.

Pretende-se, isso sim, refletir sobre a possibilidade de se instituir ou melhorar uma filosofia dos deveres individuais institucionais, comunitários e universais, com o objetivo de se idealizar e implementar uma “Nova Ordem Ética Mundial”, tal como já se avança para a “Nova Ordem Económica Mundial”, para a globalização do capital, da economia, do comércio e em tantos outros setores das atividades humanas. É preciso divulgar, insistir e incrementar, com boas-práticas, uma nova ordem ética, para a pessoa nos seus vários papéis, para a comunidade e para o mundo.

Bibliografia

SIMÕES, M. C. (2000). Ética e Antropologia em Agostinho. In Phrónesis – Revista de Ética, Campinas: PUC-Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Vol. 2 (1) Jan/Jun. Pp. 75-86