FALANDO DO… “ENFERMEIRO DE FAMÍLIA”

A ENFERMAGEM CENTRA OS SEUS CUIDADOS NA FAMÍLIA, COMO UM TODO
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Na atualidade torna-se imperativo que se repense o modo em como os serviços de saúde estão organizados para responder eficazmente às necessidades das pessoas.

A OMS e a própria União Europeia reconhecem o papel da família enquanto instância de prestação de cuidados. Referem ainda que: a longevidade, a prevalência das doenças crónicas e as mutações a nível dos serviços nacionais de saúde devem fomentar intervenções capazes de potenciar a função cuidadora da família, com suporte dos sistemas profissionais e oficiais de assistência.

A família é a célula vital da sociedade. É na família que o indivíduo adquire as suas primeiras competências e que a criança desenvolve o seu processo de socialização primária. É no contexto familiar que as pessoas se preparam para assumir estilos de vida que condicionarão de forma determinante o seu ciclo de vida. Se bem que de forma diversa, o contexto familiar organiza-se para receber novos membros no seu seio e ajusta-se perante o envelhecimento e a perda de outros.

O conceito de uma enfermagem centrada no trabalho com as famílias tem vindo a ser desenvolvida desde a definição das metas de saúde para o Sec. XXI, mas foi na Declaração de Munique (Conferência Ministerial da OMS, 2000) que enfatizaram a figura do “enfermeiro de família” enquanto pivot no seio de uma equipa multiprofissional e entidade co-responsável pelo contínuo de cuidados, desde a conceção até à morte e nos acontecimentos de vida críticos, envolvendo a promoção e proteção da saúde, a prevenção da doença, a reabilitação e a prestação de cuidados aos indivíduos doentes ou em estádios terminais de vida.

Este conceito é impulsionado com a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP), em que se aposta em modelos de organização de cuidados que promovam, entre outos aspetos, o desenvolvimento do trabalho em equipa nuclear de saúde familiar (médico, enfermeiro e secretário clínico), corresponsabilizando-as pela qualidade do desempenho e resultados atingidos.

O “Enfermeiro de Família”, como modelo organizativo de cuidados, é, inquestionavelmente, uma mais-valia no âmbito da qualidade dos cuidados prestados às populações, com ênfase para a efetividade, proximidade e acessibilidade.

O enfermeiro de saúde familiar é o profissional de referência e suporte qualificado que, em complementaridade com a restante equipa e numa perspetiva de intervenção em rede, responde às necessidades da família, quer seja no reconhecimento do potencial do sistema familiar como promotor de saúde, como parceiro na gestão da saúde da família, organizando recursos necessários à promoção da máxima autonomia, quer seja como elo de ligação entre a família, os outros profissionais e os recursos da comunidade, garantindo a equidade no acesso aos cuidados de saúde, particularmente, aos de enfermagem.

Dos aspetos mais positivos da implementação do “Enfermeiro de família” realçam-se:

  • A responsabilização do enfermeiro por um grupo limitado de famílias;
  • A possibilidade de cada família ter um enfermeiro de referência, tido como uma mais valia para a família, relativamente à acessibilidade a cuidados globais, contínuos e integrados;
  • A criação de sentimentos de “segurança”, “estabilidade”, “suporte/apoio”, por parte das famílias que têm um familiar a vivenciar um processo de saúde-doença;
  • A prestação de cuidados globais, numa perspetiva de maior proximidade e integralidade, e assente numa relação de ajuda de maior confiança.

O enfermeiro de saúde familiar responsabiliza-se pela prestação de cuidados de enfermagem a um grupo de famílias de uma área geográfica específica, nas diferentes fases do ciclo vital da família e aos diferentes níveis da prevenção, em particular nas que originam situações de maior vulnerabilidade.

Os cuidados de enfermagem têm por finalidade a capacitação da família a partir da maximização do seu potencial de saúde, ajudando todos os seus elementos a serem proactivos no tratamento e manutenção da sua saúde.

A enfermagem centra os seus cuidados na família, como um todo, assim como nos seus membros individualmente, potencializando as forças, recursos e competências da família.

Sandra Fernandes

Enfermeira especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária