Herbicida utilizado em Vila Praia de Âncora é de “origem natural”

QUERCUS afirma que a ficha técnica de algumas formulações comerciais refere também que "é perigoso para abelhas"
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Em várias artérias em Vila Praia de Âncora tem sido utilizado herbicida para controlar as ervas daninhas, entre elas a Rua Cónego Bernardo Vaz, artéria esta que vai ao encontro do cemitério e igreja matriz, e a Rua Almeida Garret, onde se encontra a antiga escola do Viso, atual sede do Orfeão de Vila Praia de Âncora.

Este é um tema que tem gerado bastante polémica no concelho de Caminha e em particular na vila de Vila Praia de Âncora, tendo a Junta de Freguesia mostrado o desagrado da utilização de herbicida por parte da empresa que opera no território, contratualizada pelo município, e existindo notícias documentadas dessa junta de freguesia ter posto um ponto final na utilização de herbicida (in Caminha2000 n.º 878).

Questionada a junta de freguesia de Vila Praia de Âncora pelo Jornal Terra e Mar, informaram que “para limpeza das infestantes nas ruas da freguesia está a utilizar o produto de origem natural, de venda livre e que não carece de cartão de aplicador, BROMORY. Segundo informações que dispomos trata-se do mesmo produto que está a ser usado na União de Freguesia de Moledo e Cristelo.”

Em anexo ao email remeteram uma fotografia do material adquirido e que se encontra a ser utilizado pela junta de freguesia, assim como um panfleto com as caraterísticas do produto.

Sobre este tema, a QUERCUS tem difundido informação sobre o recurso a substitutos do glifosato, tendo inclusivé um artigo intitulado “Polémica com Substitutos do Glifosato“, onde relatam que os herbicidas naturais utilizam o ácido pelargónico.
Sobre este produto referem que ao consultar a ficha técnica do produtos e a informação que consta também no próprio site da DGAV: “Produto extremamente perigoso para organismos aquáticos. Não aplicar a menos de 10 metros dos cursos de água”, que contradiz a alegada inocuidade do produto.

O ácido pelargónico é irritante para os olhos, pele e mucosas, pelo que a sua utilização requer as necessárias medidas de proteção individual. A ficha técnica de algumas formulações comerciais refere também que “é perigoso para abelhas”.

Ainda no artigo questionam as incongruências e omissões da legislação em vigor e quais as alternativas ao glifosato, referindo que “a questão não é ‘qual a alternativa’, mas sim ‘quais as alternativas’, porque de facto não se trata de substituir o glifosato por outra substância, mas sim de um novo paradigma na gestão dos espaços.”

Arruamentos em Vila Praia de Âncora, fotos tiradas a 1 de junho de 2020