Lideranças de Terror

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Atualmente, 2020, qualquer leigo em matéria de administração e liderança de uma organização, sabe perfeitamente, que entre os diversos recursos que deve possuir, para obter bons resultados, destacam-se os de natureza humana, nas suas diferentes vertentes: Pessoais, Profissionais, Éticas, Sociais, entre outras.

O trabalhador, em circunstância alguma, pode ser equiparado a uma máquina e, enquanto pessoa, tem dignidade própria, personalidade única, inimitável, infalsificável e indivisível, jamais deverá ser considerado um objeto descartável que, ao fim de um determinado tempo de prestação de bons e relevantes serviços à instituição, se envia para uma qualquer situação que o humilhe, lhe degrade a saúde e o diminua enquanto profissional.

O líder de uma organização tem o dever ético-moral de zelar: não só pelos legítimos e legais interesses da instituição; como também pela dignidade dos seus utentes e colaboradores, no sentido de os motivar, acarinhar, recompensar, formar e compreender as diversas dificuldades que o trabalhador vai sofrendo ao longo da sua carreira, sendo da responsabilidade exclusiva do gestor, proporcionar todos os meios e oportunidades para que os funcionários se sintam realizados, tenham prazer, e não sofrimento, em trabalhar na organização.

Por vezes poderá acontecer que líderes do tipo ditadores, ignorem os mais elementares princípios da boa gestão do pessoal e utilizem, por sistema, as “regras” do “quero, posso e mando”, não respeitando as pessoas enquanto tais, violando as mais fundamentais normas do apreço, da boa educação, da gentileza e da tolerância, agindo sempre com atitudes de permanentes ameaças, as mais diversas: mudança de funções sem primeiro proporcionar a devida e substancial formação; ameaças/intimidações com processos/inquéritos disciplinares, com a “espada do despedimento” em riste, embora escondida, mesmo que a matéria de facto não seja de natureza disciplinar; despedimentos por e-mail e/ou telefone, entre outras arbitrariedades inqualificáveis, num país civilizado e em pleno século XXI.

Mas o comportamento de tais líderes é tanto mais grave, quanto mais assume atitudes de inequívoca discriminação: perseguição e coação psicológica; ou até assédio sexual, perante pessoas de género diferente ou, por que não, do mesmo grupo sexual? Pessoas indefesas, que apenas querem trabalhar em paz, com profissionalismo e respeito pelos utentes, que dão o seu melhor à instituição, em alguns casos, ao longo de décadas de vida.

Quando se analisam as várias formas de liderança, numa organização, na verdade tanto se identificam líderes democráticos, como ditadores, como visionários, como autocráticos, como liberais, entre outros estilos, sabendo-se, contudo, que de acordo com a natureza da instituição, assim se deverá adaptar a liderança. Naturalmente que uma liderança militar, será diferente, de uma outra civil, ou religiosa, porém, sem que qualquer delas tenha, necessariamente, de ser totalitária.

Infelizmente, ainda se vislumbra, em certas instituições, até de cariz religioso, líderes que são autênticos ditadores, verdadeiros tarados, que ignoram os mais elementares valores do respeito, da tolerância, da solidariedade e da compreensão, para com as pessoas mais fragilizadas por quaisquer situações da vida, incluindo dificuldades profissionais.

Estes líderes, normalmente, são pessoas frustradas, falhadas na vida, nos princípios e nos valores humanistas, vivem para alimentar uma aparente competência, uma vaidade ridícula, uma exibição egocêntrica e narcisista ilimitadas, aproveitando-se, precisamente, da situação de quem precisa de ganhar a vida honestamente. Eles, por mérito próprio, nunca conseguiram um lugar de destaque.

É inadmissível que, em pleno século XXI, numa sociedade que se deseja humanista, pacífica e promotora do bem-estar e qualidade de vida dos seus membros, ainda existam pessoas à frente de instituições, que seria suposto terem uma natureza benevolente, considerando a respetiva matriz humanitária, e se aproveitem das suas posições de liderança, para exercerem vinganças, represálias, perseguições, castigos desumanos, para “empurrarem” trabalhadores contra trabalhadores, para doenças psiquiátricas, para o desemprego, para a miséria e, finalmente, para a aniquilação moral e física, no limite, para a morte.

Mas o mais estranho, é que tais líderes, por vezes, têm outras entidades que estão acima deles que, presumivelmente, superintendem nas condições de funcionamento da organização e, aparentemente, não tomam posição pública, para acabar, de vez, com os desmandos de tais dirigentes. Será caso para se afirmar que já vale tudo? Haja respeito, consideração e compreensão pela dignidade de quem trabalha, de quem cuida daqueles que precisam de amparo.

Uma liderança, na sua composição colegial, obviamente composta por várias pessoas, em que cada uma tem as suas funções, o seu pelouro, interagindo umas com as outras, para o bem da instituição, utentes e colaboradores, seria o desejável, todavia, haverá situações em que os membros do órgão diretivo nem sequer têm conhecimento prévio, integral e inequívoco, das decisões que toma o líder máximo, o “chefe”, seja ele administrador, diretor, presidente ou qualquer outra denominação.

Naquelas circunstâncias, poder-se-á afirmar que se está perante o tal líder ditador, prepotente, discricionário, anormal, do tipo: “Quem manda aqui sou eu” e, os restantes membros do órgão colegial, não passam de “fiéis serviçais do chefe”, não assumindo qualquer atitude nobre, em defesa dos utentes da instituição, do prestígio da organização e dos seus trabalhadores.

E se tais pessoas não tomam posição contra os desmandos do líder, então é porque têm algum interesse a esconder. Estas situações são deploráveis, humilhantes para quem necessita da instituição, por isso devem ser banidas com urgência, juntamente com os responsáveis pela degradação a que se chega. Afinal, como diz o adágio: “Tão infrator é o que vai à horta como o que fica à porta”.

Também é verdade que proliferam os líderes manipuladores os quais, através de gestos disfarçadamente brandos, linguagem hipocritamente suave e educada, convencem as pessoas de que são uns “santos”, têm a capacidade de elaborar narrativas comoventes, tão impressionantes que, como diz o sábio e bom povo: “Quem os ouve não os leva presos”.

Estes líderes, normalmente, porque sabem que são fracos, mal-intencionados, malformados, estão sempre de má-fé, desconfiam de tudo e de todos, por isso, para ficarem protegidos, rodeiam-se de alguns colaboradores, do tipo “pidesco/policial”, bem pagos, à custa da instituição, que lhe levam toda a informação, habitualmente deturpada, para denegrirem ou favorecerem algum colega.

Aqueles líderes, manipuladores, também são especialistas na produção de normas, circulares, regulamentos, que eles próprios acabam por se contradizer. Mas o objetivo desta verbosidade e profusão de literatura regulamentar, destina-se a levar os trabalhadores, que não estão nas “boas-graças” do “chefe”, a cometerem pequenas falhas, e então haver um fundamento injusto, ilógico e discricionário para as famosas “não-conformidades”, instauração de processos e, se possível despedimentos, das pessoas que não estão bem vistas pelo dirigente-manipulador.

Neste esquema maquiavélico, montado pelo líder, pelos seus correligionários e pelo tal grupo de colaboradores “pidescos”, o que se verifica é que para este núcleo de “informadores” nunca existem ameaças, “não-conformidades”, processos e, pelo contrário, o “chefe” até convive mais com eles, dispensando-os, inclusivamente, de cumprir horários. É a discriminação “pura e dura”, injusta e ilegal.

Igualmente é verdade que aqueles líderes, antes de serem nomeados ou eleitos, se comportam como autênticos “arcanjos”, subservientes, cinicamente democráticos, todavia, quando instalados no poder, logo esquecem quem os apoiou, quem usou de influências pessoais para os ajudar a chegar ao poder. Rapidamente, como diz o adágio popular: “Cospem no prato de quem lhes matou a fome” e aqui até pode estar incluído todo o órgão colegial e seus informadores.

Então, alguma vez, pessoas com tais personalidades, eventualmente, bipolares, arrogantes, prepotentes, que não comungam de princípios, valores e sentimentos, verdadeiramente humanistas e religiosos, podem dirigir uma instituição? Então ninguém lhes coloca um “travão” nas loucuras, injustiças e desmandos que vão cometendo? Mas afinal em que país e em que século vivemos?

Diamantino Lourenço
Rodrigues de Bártolo