Páscoa do apreço aos mais desprotegidos

Diamantino Bártolo
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Muito embora a esperança seja, ou deva ser, a última expectativa a morrer, a verdade, porém, é que naquela Páscoa de dois mil e catorze, não haveria muitos motivos para nos sentirmos seguros, quanto a uma desejável e legítima estabilidade, em vários domínios da nossa existência e, enquanto cidadãos de deveres e direitos, porque, “tragicamente”, quase todos os dias éramos “aterrorizados” com notícias devastadoras das esperanças, que ainda poderíamos alimentar, quanto a um futuro tranquilo e confortável.

A sociedade portuguesa em geral, e alguns extratos mais vulneráveis, em particular, continuavam a sofrer as consequências de situações para as quais não contribuíram, nem eram responsáveis. Milhões de pessoas entre funcionários públicos, trabalhadores do setor privado, reformados, pensionistas, desempregados, imigrantes, sem-abrigo, excluídos, idosos viviam (e milhares ainda continuam a subsistir) no limiar da pobreza, passando fome e frio, com falta de saúde e de perspectivas quanto a um futuro com um mínimo de dignidade humana.

A título meramente estatístico, os números atuais, nesta Páscoa de 2020, as pessoas portuguesas e imigrantes residentes no nosso país, apontam para cerca de 18 a 20 por cento de: mulheres e homens; Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos; que estarão a viver no limiar da pobreza, seja no que se refere aos rendimentos, quer quanto a habitarem em condições condignas, entre outras situações, igualmente importantes para a dignidade humana.

Naquela época, o mais alto Magistrado da Nação, teve a coragem de, em cerimónia pública, na localidade de Azeitão, no passado dia dezassete de abril desse ano de 2018, afirmar que «os sacrifícios exigidos aos portugueses foram excessivos, que existem situações de miséria intoleráveis e que é tempo de parar com tais medidas, que têm sido suportadas sempre pelos mesmos». Declarou, ainda, que «existem indicadores económicos que apontam para que se pare com tantos sacrifícios». 

Comemora-se um acontecimento de grande significado para o mundo Católico, mas não só. A Páscoa, que deveria ser um evento de alegria, de ressurreição dos bons princípios, valores e sentimentos, que têm vindo a ser ignorados, como: o respeito pelos mais idosos, o trabalho para os desempregados, as reformas/pensões para os que já contribuíram e atingiram a idade para este direito, a inclusão total na sociedade, de todos os marginalizados, enfim, a dignidade de toda a pessoa humana, infelizmente é, ainda, para uma maioria dos portugueses, uma época festiva, talvez e só a nível religioso.

Verifica-se, também, que os valores materiais se têm vindo a sobrepor aos de ordem imaterial, aos sentimentos mais nobres. Tudo gira à volta dos mercados, dos lucros, dos défices, dos números astronómicos da ganância de alguns contra as mais elementares necessidades das maiorias.

Hoje, valores e sentimentos como: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a humildade, a gratidão e o amor, por exemplo, são muito difíceis de se vislumbrarem, em algumas elites dominadoras, no entanto, elas, as elites, não podem ignorar que: «O amor é uma energia, a energia mais pura e mais elevada. Nas suas vibrações mais altas, o amor possui sabedoria e consciência. É a energia que une todos os seres. O amor é absoluto e não tem fim.» (BRIAN, 2000:17).

Durante alguns anos, praticamente: têm sido sempre os mesmos a suportar o “fardo”, de uma dívida que não contraíram; têm sido sempre os mesmos a serem privados dos direitos que, por contrato escrito, de boa-fé, celebraram com um Estado que deveria ser, sempre, pessoa de bem. Foi injusto, imoral e, em muitas circunstâncias, de duvidosa legalidade, o que então se impôs a alguns extratos da sociedade portuguesa, precisamente por quem se comprometeu a melhorar as condições de vida da população.

Apesar da situação difícil que ainda se vive: há muita vontade em se acreditar em melhores dias; alguma esperança, calada bem no fundo das nossas consciências, ainda não morreu; um certo e tímido otimismo reina nos espíritos daqueles que continuam a sofrer e a lutar por um futuro melhor, mas para que estes sinais não morram, é necessário que se continuem a anular, de imediato, aquelas medidas gravosas que tanto têm prejudicado a qualidade de vida de milhões de portugueses.

No corrente ano, de 2020, infelizmente, não será possível às famílias portuguesas em particular e a outras congéneres no resto do globo, confraternizar neste dia tão festivo, de convivência, de reencontro, porquanto o Mundo está a ser “atacado” por uma terrível pandemia, que impede as pessoas ausentarem-se para fora dos seus Concelhos de residência, no caso português. Vive-se uma calamidade como já não havia memória, inclusive, entre os mais idosos.

Entretanto, porém, uma nova Esperança Redentora, entre a família, os verdadeiros e incondicionais amigos teremos de alimentar, com todo o fervor e fé. A todas as pessoas: Páscoa Muito Alegre e Feliz.

Bibliografia
BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Tradução, António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo