Regina Caeli – A Oração Mariana nascida em tempo de peste

Em Ano pastoral dedicada à Santa Mãe de Deus, O Arciprestado de Caminha apela à oração à Rainha do Céu
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Rainha do Céu, alegrai-vos. Aleluia.
Porque Aquele que merecestes trazer em vosso ventre. Aleluia.
Ressuscitou como disse. Aleluia.
Rogai a Deus por nós. Aleluia.
Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia.
Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia.
Oremos.

Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna.

Por Cristo, Senhor Nosso. Amén.

«Possivelmente, poucas serão, no País, as Dioceses onde a citada afirmação do Papa – “Temos Mãe!” – tenha, proporcionalmente, tanto cabimento como na nossa. Entre todos os santos é a ela que, de longe, mais recorremos. Muitíssimo mais até do que ao seu Filho Jesus, que aliás, implicitamente, a isso nos convida, conhecendo o poder sedutor de uma Mãe como a dele – nomeadamente, depois de o experimentar nas bodas de Caná, em que ela o «convenceu» a preencher a falta de vinho com um outro de uma qualidade e numa quantidade normalmente desaconselhadas para a parte final da boda e, também por isso, totalmente inesperadas… Mas, não para ela, que, provavelmente, já conhecia bem o Filho que tinha.» (D. Anacleto Oliveira, Carta Pastoral “Somos Igreja que acolhe”, nº. 90).

A oração à Virgem é uma constante entre o nosso povo minhoto, seja de manhã, ao meio dia, ao entardecer ou à noite! Prova disso são as tradicionais “trindades”, lembradas pelos toques dos sinos de manhã, ao meio-dia e ao fim da tarde. Durante o Tempo Comum, o Advento, o Natal e a Quaresma é rezado o “Angelus”. Com o raiar do solene dia de Páscoa, surge uma nova etapa nesta oração tripartida, o “Regina Caeli” ou “Regina Coeli”, que em português significa: “Rainha do Céu”: um hino medieval dedicado a Nossa Senhora, composto em latim, que tradicionalmente é rezado ou cantado durante o Tempo Pascal.

Segundo atesta uma antiga tradição, esse belíssimo hino mariano teria sido composto pelos anjos, numa época tenebrosa como a que actualmente vivemos, mergulhados que estamos na pandemia do coronavírus. Era o ano 590 e Roma estava devastada pela peste. O Papa Pelágio II morrera em setembro, devido a esta terrível pestilência vinda do Egito. Sucede-lhe Gregório Magno, que organiza uma grande procissão na qual participa toda a população de Roma. O povo romano atravessava as ruas da cidade, levando até a Basílica Vaticana o ícone sagrado de Maria, “Salus Populi Romani”, o mesmo que o Papa Francisco venerou na Praça de S. Pedro no passado dia 27 de março, na oração por toda a humanidade.

Durante a procissão morreram pessoas vitimadas pela peste, mas São Gregório não cessava de exortar o povo para que continuasse a rezar. Milagrosamente, à medida que a imagem avançava pela cidade, o ar tornava-se mais são e limpo. Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”. A este cântico, o Papa Gregório respondeu: “ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nascia a oração “Regina Coeli”. Após o canto, os anjos colocaram-se em círculo ao redor do ícone da Virgem Mãe. Nesse momento, sobre o alto do castelo pousa o Arcanjo Miguel, que coloca a sua espada na bainha, como sinal do fim da epidemia: a batalha terminava e a peste foi vencida! Como recordação desse fato, o castelo ficou conhecido com o nome de “Sant’Angelo”. Na sua mais alta torre, foi colocada a célebre imagem de São Miguel, pousando e guardando a espada, após o combate.

É esta oração composta pelo céu e pela terra há 1430 anos que iremos rezar em todo o arciprestado de Caminha três vezes por dia ao longo do Tempo da Páscoa. A primeira vez será no próximo domingo de Páscoa ao amanhecer, recordando o anúncio que o Próprio Cristo Ressuscitado faz à Senhora da Alegria, pois (como diz o cântico tão popular entre nós) “de chorar Sua Mãe deixou neste venturoso dia”. Ao meio dia, em comunhão na prece pelo fim da pandemia, além da oração feita em todo o mundo, rezaremos juntos a oração dominical seguida de uma súplica pelos falecidos nestes tempos sombrios. Ao fim da tarde, estimulados pela alegria que nos chega do túmulo vazio rezaremos mais uma vez como S. Gregório “ora pro nobis Deum, Alleluia!”

Que Maria nos acolha em seu coração imaculado, a quem estamos consagrados.
Os sacerdotes que peregrinam na Fé nesta parcela do Povo de Deus,
o Arciprestado de Caminha