Televisão portuguesa: a ditadura que também nos governa

Paulo Freitas do Amaral
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Há pouco tempo estando eu refastelado no meu sofá, a ver os globos de ouro 2023 na SIC, comecei a questionar-me se não estaria eu a ter um “dejá vu” de várias edições que vi há mais de uma década para cá…

Os nomeados da nossa indústria de entretenimento televisivo e informativo repetem-se década atrás de década como se houvesse lugares cativos que nem Hollywood com vedetas milionárias interessadas a manterem-se na ribalta, conseguiria manter tantos anos na ribalta…

A televisão “histórica” portuguesa; RTP, TVI e SIC juntam hoje uma elite de protagonistas que por vezes rodam as cadeiras entre si mas que não largam os seus centros de poder que nos dias de hoje fabricam Presidentes da República, criam casos a governos com uma agenda política e dizem-nos com extrema precisão para distinguir o que é falso daquilo que é verdadeiro. Será que nos dias de hoje podemos continuar a achar que este poder é o quarto poder da nossa sociedade? Eu acho que não. Colocaria a televisão digna do pódio e não em quarto lugar…

O que a maioria do povo não sabe é que os vasos comunicantes entre política e comunicação são mais do que muitos e que a publicação de notícias não obedece ao que é mais importante para o país mas é por vezes o resultado de ambições, ajustes de contas ou favores pessoais… ou não houvesse a possibilidade de através da política obter lugares bem pagos de assessores de imprensa em cada secretaria de estado, em cada gabinete de cada ministro, nos grupos parlamentares da assembleia, nas câmaras municipais,  nos órgãos de comunicação do estado, em alguns Institutos públicos e por aí fora…

Esta elite televisiva que se fecha em si mesma e que sabe o poder que a televisão tem numa sociedade, continua a dar palco a si própria noutros meios de comunicação como a rádio ou a imprensa escrita…

 Num mundo televisivo sem concursos públicos, onde tudo se faz por “seres um gajo porreiro”, vemos diariamente os “gajos porreiros” chacinarem outros “gajos porreiros” que o deixaram de o ser por despeito ou por inveja. 

Tipico do espírito português…

Num país com um mercado pequeno, não há espaço comercial para o reconhecimento do mérito para quem não tenha ajuda destes três grupos de televisão mais antigos em Portugal e que no fundo também lideram as audiências das rádios e dos jornais que batem recordes de vendas, dando visibilidade aos mesmos de sempre que vemos nos programas de televisão.

A meu ver, um processo nada democrático e que dá oportunidades de forma discriminatória…

Mesmo sendo eu democrata, acabo por vezes a dar razão a alguns extremistas que atacam os media devido à inexistência de rotatividade de responsáveis e protagonistas que é normal existir noutros poderes da sociedade, não existindo tal democraticidade na nossa comunicação social…

O equilíbrio de comentadores políticos filiados partidariamente deixou de ser um assunto…e os convites de participação de comentário fazem-se com base no amiguismo…ou com base em interesses.

Os nomeados e preferidos dos programas de pancadinhas nas costas dessa elite são sempre os mesmos…e até já adivinhamos quem ganha; é sempre a equipa da casa…sem a ajuda do polígrafo aplicado a quem o faz…

Afinal a eles quase tudo é permitido e ninguém faz noticia de quem faz a notícia…

É um antigo quarto poder que influencia a justiça,  subjuga a política e denegride opositores…

Merecerá que lhe continuemos a bater palmas e a pedir autógrafos?

Eu já penso duas vezes quando as bato.