CULTURA DA COOPERAÇÃO

Opinião de Diamantino Bártolo
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Interiorizar uma genuína cultura de cooperação lusófona, sem prejuízo dos diversos acordos internacionais, já existentes ou a celebrar, sem deslealdade para com as parecerias que se estabeleceram entre países, e aproveitando, justamente, todas as experiências e sinergias já adquiridas, poderá melhorar, enriquecer e consolidar os níveis de vida dos povos envolvidos, reduzindo tensões, eliminando barreiras físicas e artificialmente construídas, possibilitando, afinal, a irmanação no desenvolvimento das causas nobres, como a paz, a justiça, a saúde, a educação, o bem-comum, obviamente, no respeito por legítimos, legais e justos interesses, das instituições e das pessoas.

Desenvolver uma filosofia educativa, com objetivos culturais, de dinamização de programas conjuntos, nos domínios que facilitem a compreensão dos valores nacionais, intercâmbio de novos conhecimentos, apoio à investigação científica nas áreas de interesse dos povos lusófonos, numa primeira etapa; para uma maior expansão, extra-lusófona, numa etapa posterior; reciprocidade de tratamento para com todos os indivíduos e instituições envolvidos, são algumas exigências que devem ser, já à partida, satisfeitas.

Uma cultura para a cooperação entre pessoas, povos e nações poderá significar o fim dos movimentos migratórios clandestinos, que de forma crescente ocorrem um pouco por todo o mundo, especialmente direcionados para a América do Norte e União Europeia, a maior parte das vezes com fins trágicos para os migrantes e seus familiares, principalmente as crianças, mas também com problemas humanitários, para os países de suposto acolhimento, que se confrontam com situações verdadeiramente desumanas.

A reciprocidade entre todos os países livres, democráticos, humanistas e tolerantes, deve ser a regra de ouro para o acolhimento dos milhares de migrantes, em permanente circulação por esse mundo, à procura de melhor vida, para eles próprios e para as famílias, com base apenas num trabalho digno.

A cultura da responsabilidade é um processo de ensino-aprendizagem e de boas-práticas que exige tempo, disciplina e vontade, que pressupõe uma elevada auto-estima do indivíduo responsável, uma noção muito clara dos valores que devem integrar uma cultura da responsabilidade, uma disponibilidade ampla para assumir atividades que aperfeiçoem e valorizem, desde logo, um espírito de doação, sem traição às raízes originais, embora cooperando com outras culturas, outros valores, outras pessoas.

A cooperação, sem barreiras artificiais entre os nove, será um projeto estimulante, desafiador das capacidades das instituições e dos indivíduos e, mais do que isso, motivador para uma solução de irmanização destes povos, os quais têm tudo para, rapidamente, chegarem ao sucesso material e espiritual: recursos naturais, inteligência avançada, instrumentos de comunicação e de cultura idênticos, cumplicidade por um passado comum, ainda que em papéis diferentes (colonizador-colonizado), embora nem sempre assim tão nítidos.

Venade/Caminha – Portugal, 2019

Com o protesto da minha perene GRATIDÃO
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo